L. Wesley's COMMUNITÀS

Este blog é dedicado ao exercício dos dons da liberdade, da razão, da experiência e do afeto na caminhada.

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Nome: Luís Wesley
Local: Atlanta, GA, United States

Ora, o que me importa ser senão UM BOM AMIGO NA JORNADA?

Segunda-feira, Abril 13, 2009

Antológico: O TAPECEIRO -- De João Alexandre


(Clique na foto ou aqui para ver video no YouTube)

Tapeceiro, grande artista,
Vai fazendo seu trabalho
Incansável, paciente no seu tear

Tapeceiro, não se engana
Sabe o fim desde o começo,
Traça voltas, mil desvios sem perder o fio

Minha vida é obra de tapeçaria,
É tecida de cores alegres e vivas,
Que fazem contraste no meio das cores
Nubladas e tristes
Se você olha do avesso,
Nem imagina o desfecho
No fim das contas, tudo se explica,
Tudo se encaixa, tudo coopera pro meu bem

Quando se vê pelo lado certo,
Muda-se logo a expressão do rosto,
Obra de arte pra Honra e Glória do Tapeceiro

Quando se vê pelo lado certo,
Todas as cores da minha vida
Dignificam a Jesus Cristo, o Tapeceiro

Sábado, Abril 11, 2009

Na cama com minha amiga-inimiga.


Reflexão sobre uma invasiva
relação de intimidade.

Eu e ela, ela e eu.

Tenho alguém muito íntima de mim, de longe a maior e a melhor das amigas inimigas que jamais pensei, imaginei ou planejei possuir. Tenho com ela uma relação tão íntima e que se manifesta num grau de cumplicidade tal, que há momentos em que não sei se o que sentimos um pelo outro é amor, ódio ou o mais puro instinto de sobrevivência.

Tento compreender suas origens, seus conteúdos, suas faces, seus caminhos, suas notas, seus abismos, suas foices, seus remédios... Todos estes perfis me parecem óbvios e, ao mesmo tempo, obscuros e nebulosos.

Bálsamo, unhas e cobertor.

Quando ela conversa comigo, com a doçura mais desejada que minha alma possa conceber, com uma voz cujos sons e timbres são quase imperceptíveis, invado-me pela impressão de conhecê-la desde minha mais tenra infância.

O seu tom me faz lembrar da voz de minha mãe, e, por essa via, ela me faz sentir como se eu estivesse voltando à experiência e à imagem de, em resposta ao meu choro, ser colhido no colo, amamentado e embalado por aquela que me amava sem condições.

Contudo, quando ela mostra suas unhas, cujas bordas cortam como punhal bem afiado, e me faz saber que são esmaltadas por uma incrível mistura de mel e fel, antídoto e veneno, ferida e remédio, o meu impulso mais óbvio é sair às pressas, à busca de um abrigo qualquer, o primeiro que aparecer, mesmo que esse seja sobre um travesseiro e entre o colchão macio, o lençol e o ededrom que me aquecem.

Me cubro depressa como aquela criança que tem medo de “Bicho-Papão”, como se este fosse fraco o bastante e ingênuo o suficiente para não pensar em tirar ou transpor o cobertor. Que ledo engano!

Paz ou perturbação.

Aonde quer que eu vá, lá estará ela também. Me segue como um cão dependente de seu dono, ou como um dono apegado ao seu cão. Às vezes me deixa em paz, e às vezes em perturbação. Me cutuca, me instiga, me provoca, me toca, me povoa, me faz pensar, me invade, me exorta e me mata, para logo mais me consolar, me beijar e me reacender para a vida.

Ela é uma alternação que vai de uma amiga-inimiga a uma inimiga-amiga. Já tentei dizer-lhe que não mais quero conversar nem trocar idéias, mas ela é teimosíssima e extremamente persistente! Quer estar comigo, não importando onde, quando, com quem ou em que circunstâncias.

Nudez e crueza.

Aliás, diga-se de passagem, com freqüência ela invade as minhas mais profundas intimidades e privacidades. Nada há que ela não conheça em mim, e a cama costuma ser o lugar onde ela mais gosta de me fazer companhia.

Abraça-me por detrás e pela frente, entrelaça suas pernas nas minhas, sussurra nos meus ouvidos me falando coisas indizíveis, me aperta, me agita, me excita e me relaxa. Tira o meu sono para devolvê-lo logo em seguida.

Nua e crua, ela se encaixa em mim de uma tal forma e com tal leveza que, depois de um certo tempo, passo a não mais saber se há algum espaço de qualquer espécie entre nós. Me verga, me entorta, me endireita novamente, me apruma, me faz rolar, me surra, me afaga, me põe genuflexo, me redime...

Intromissão.

Intromete-se onde pouco peço sua ajuda, fala coisas sobre as quais pensei em não solicitar sua opinião, responde perguntas que formulei apenas e tão somente no íntimo e no mais absoluto e obsequioso silêncio, canta músicas antigas perturbadoras que pensei nunca voltaria a ouvir.

Mas, como numa mágica instantânea e paralela, ela me faz sentir em casa, como quando minha alma voava ao abrir os braços para recostar-me naquela rede da varanda da casa dos meus pais. Eu ainda era um menino sem noção de como a vida se desvendaria, mas que amava observar o vento tocando as árvores de folhas viçosas e cheias de frutas, e os pássaros silvestres pousando nelas.

O diálogo.

“Por que você não me deixa?”, eu pergunto, mas a resposta é sempre a mesma: “Oras bolas... porque você não viveria sem mim! Porque seria como um tronco cortado, morto e lançado despenhadeiro abaixo, ou como uma folha que se desprende do galho e que, a partir de então, é levada por um vento que não possui nem parâmetros nem direção. Deixe-me ficar com você, eu lhe peço”, insiste minha amiga-inimiga.

"Tá bom, tá bom... Pode ficar!", eu replico e completo: "Afinal, de você o que mais quero é a Essência que te perfuma, o Aroma que me seduz, a Graça que me perdoa, o Sangue que me alveja e o Conteúdo que me forma."

E eu me silencio e me tranqüilizo nos braços desta eterna parceira de cama e travesseiro: a Consciência.


Copyright © April 2008 Luís Wesley de Souza

Sexta-feira, Abril 10, 2009

Pensando alto

Há formas falsas de sofrimento que nos são impostas, às vezes vindas de fora, via injustiça e crueldade externa, e às vezes provindas de dentro da gente mesmo. Estas formas falsas de sofrimento precisam ser resistidas, recusadas, rechaçadas com vigor e determinação. Não acredito que o Deus que me deu vida queira que eu viva uma morte em vida. Creio que o mesmo Deus que concede vida quer que eu viva de forma integral, saudável e inspiradora.

Isto significa que eu não possa ser levado a situações e lugares nos quais venha a sofrer? Não. Significa que posso vir a vivenciar dores relacionais por me posicionar em relação a algo que considero correto, incorreto ou importante? Sim.

Significa ser vulnerável às angustias de quem nutre convicções e as expressa com honestidade, coerência, bom senso e equilíbrio, ou mesmo de estar apaixonado por algo que se torna resistível e rejeitável por um indivíduo, grupo, instituição ou sociedade, em razão dos interesses políticos, ideológicos e mesmo da falsa moral dos afetados? Sim, absolutamente. Qualquer um que tenha sofrido desta maneira sabe que é uma dádiva da vida, e que, se esta é sua verdade, não pode deixar de fazê-lo. Este conhecimento o ajuda a passar pelo que for necessário.

Mas o tipo de sofrimento que precisa ser rejeitado é aquele que se torna morte na vida. É esta escuridão que precisa ser vencida para que a gente encontre a luz e a vida mais adiante, sabendo que quanto mais perto se chega da luz, mais se discerne a escuridão. Mover-se em direção a Deus é aproximar-se daquilo que todo ser humano precisa conhecer e experimentar, e isto pode vir a incluir ambos: sofrimento ou regozijo.

LWS

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