ODEIO ROSAS VERMELHAS - Por Larissa B. Piconi
Hoje de manhã, enquanto tomava meu café antes de sair para o trabalho, observava um botão de rosa que se encontrava deitado, ainda embrulhado e acompanhado de um pequeno cartão, em cima da mesa. Aquela flor estava ali desde o dia 08 de março, dia em que a havia ganhado. Passado alguns dias sem água e cuidado, a rosa já se mostrava sem vida.
Neste momento, pensava na minha insensibilidade, na minha falta de zelo com algo tão belo e singelo. Indagando-me acerca do porquê de tamanho desprezo, lembrei-me da razão pela qual a havia ganhado, quando pensei em voz alta: "Esta flor não tem nenhum significado para mim!"
Pensei nos inúmeros outros botões de rosa vermelha que, assim como aquele, haviam sido distribuídos a tantas outras mulheres no Dia Internacional da Mulher. Pensei na possibilidade de a singeleza e fragilidade daquela flor esconder no interior daquelas pétalas fechadas, a permanência de uma relação desigual entre sexos instaurada na história da humanidade. Pensei na possibilidade de estas mesmas pétalas mascararem o motivo pelo qual este dia existiu. Pensei na possibilidade desta rosa silenciar e constranger uma batalha que ainda não se encerrou.
Em um breve instante, aquela flor passou a ter muitos de significados para mim.
Em meio a tantos pensamentos, me veio à memória o momento em que aquela flor foi-me entregue. Lembrei-me do meu chefe vindo de sua grande sala até o meu pequeno espaço de trabalho para, pessoalmente e em mãos, entregar-me um botão de rosa vermelha acompanhado de um cartão. Após parabenizar-me pelo "meu dia" (seja lá o que isto significa), um tradicional comentário surge de um colega de trabalho: "E o dia dos homens?". E eis a resposta fatídica daquele que, há segundos atrás, me parabenizara pelo "meu dia": "O DIA DOS HOMENS SÃO TODOS OS OUTROS".
E agora, continuo a pensar: que significados tem esta flor para mim?
Copyright © Março 2009 Larissa Bassi Piconi


