L. Wesley's COMMUNITÀS

Este blog é dedicado ao exercício dos dons da liberdade, da razão, da experiência e do afeto na caminhada.

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Nome: Luís Wesley
Local: Atlanta, GA, United States

Ora, o que me importa ser senão UM BOM AMIGO NA JORNADA?

Segunda-feira, Novembro 26, 2007

Caminhante.


Mudo mudei,
Falante me retraduzo,
Pensante me transformarei.
O que mais tenho a dizer?

Calado reguei,
Gritante me tolho,
Reflexivo me nutrirei.
De que esperanças me alimento?

Parado cansei,
Andante me retenho,
Movente me redesenharei.
Que passos dão os meus afetos?

Solitário amei,
Perplexo me atenho,
Genuflexo me libertarei.
Sabe o amor de repente chegar?

Olhante calei,
Tocante me refugio,
Sensato me elucidarei.
Estão inteiros os meus sensos?

Ilhado estagnei,
Cercado me defino,
Alado me tornarei.
Basta-me olhar para o infinito?

Crédulo esperei,
Cambaleante me encontro,
Caminhante me redimirei.
Tenho forças para lá chegar?


Copyright © November 2007 Luís Wesley de Souza

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Quinta-feira, Novembro 22, 2007

Mudei.

Vezes sem conta,
tive vontade de que nada mudasse:

o sonho, o paradigma, e o sentimento...
ainda que faltasse.

Pensei manter o passo,
o traço, o abraço, os laços e a atitude;

volto-me para ver, e constato que
mudar foi tudo o que pude.


(Ampliado, adaptando e parafraseado por mim e
para mim
do seguinte pensamento de P. Leminski:
"Vezes sem conta, tenho vontade de que nada mude;
meia volta vou ver, mudar é tudo que pude.")

Copyright © November 2007 Luís Wesley de Souza

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Quinta-feira, Novembro 15, 2007

Morre Lentamente...



Morre lentamente quem não viaja, quem não lê, quem não ouve música, quem não encontra graça em si mesmo.


Morre lentamente quem destrói o seu amor-próprio, quem não se deixa ajudar.


Morre lentamente quem se transforma em escravo do hábito, repetindo todos os dias os mesmos trajetos, quem não muda de marca, não se arrisca a vestir uma nova cor, ou não conversa com quem não conhece.


Morre lentamente quem faz da televisão o seu guru.


Morre lentamente quem evita uma paixão, quem prefere o negro sobre o branco e os pontos sobre os "is" em detrimento de um redemoinho de emoções, justamente as que resgatam o brilho dos olhos, sorrisos dos bocejos, corações aos tropeços e sentimentos.


Morre lentamente quem não vira a mesa quando está infeliz, quem não arrisca o certo pelo incerto para ir atrás de um sonho, quem não se permite pelo menos uma vez na vida fugir dos conselhos sensatos.


Morre lentamente quem passa os dias queixando-se da sua má sorte ou da chuva incessante.


Morre lentamente, quem abandona um projeto antes de iniciá-lo, não pergunta sobre um assunto que desconhece ou não responde quando lhe indagam sobre algo que sabe.


Morre... lentamente...


Por Pablo Neruda

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Domingo, Novembro 11, 2007

A Coréia do Sul não é só oração


Há muito costuma-se dizer que o “segredo” do crescimento da igreja coreana é a oração, e isso, de certa forma, é verdade. Observo, contudo, que a oração não é o único fator e tampouco livra a Igreja de possuir distorções teológicas, ministeriais ou institucionais, ou ainda de vivenciar a dolorosa divisão nacional na Península Coreana.

Estive na Coréia do Sul pela segunda vez. A primeira foi em 1995, por ocasião do GCOWE’95 (Global Consultation on World Evangelization), junto com outros líderes cristãos brasileiros, cerca de duas centenas deles. Desta vez fui para participar no Concílio Mundial Metodista e para falar no Seminário Internacional de Evangelismo, promovido pelo World Methodist Evangelism Institute.

Eu vi a Coréia orar, e observei também que esta espiritualidade que ora intensa e longamente é flagrantemente solidária e marcantemente cristocêntrica;

Eu vi a Coréia orar, mas vi, entretanto, a forte ênfase acrítica que grande parte do protestantismo coreano, incluindo igrejas de tradição histórica, dá à teologia da prosperidade;

Eu vi a Coréia orar, e observei também o valor que o cristianismo coreano dá à cultura do lugar, o que torna o estilo, a linguagem, o método, a música e a estética do ministério da Igreja relevantes ao povo;

Eu vi a Coréia orar, mas vi, entretanto, templos protestantes com arquitetura, suntuosidade e qualidade Wall Street construídos no meio de bairros que continuam carentes;

Eu vi a Coréia orar, e observei também seus bem treinados líderes, tanto pastores de igrejas locais como professores de seminários;


Eu vi a Coréia orar,
mas ouvi falar, entretanto, da competitividade de líderes que exercem ou que procuram exercer liderança nas igrejas;

Eu vi a Coréia orar, e observei também o esforço das igrejas por buscar fazer tudo o que se podem com vistas à paz e à re-unificação da Península Coreana;

Eu vi a Coréia orar, mas ouvi falar, entretanto, da tensão existente entre os líderes denominacionais, notadamente entre bispos em suas tentativas de monopolizar ou de obter mais poder;

Eu vi a Coréia orar, e observei também as cruzes com luminárias vermelhas que formam um padrão estético comum entre as várias confissões, testemunhando a unidade da fé cristã;


Eu vi a Coréia orar, mas ouvi falar, entretanto, que os escandalos seqüentes, notadamente os envolvimentos de protestantes nas mazelas políticas do país, mancham a integridade da igreja perante a sociedade;

Eu vi a Coréia orar, e observei também a multidão de voluntários formada por gente simples, sincera, dedicada, comprometida e engajada nos mais diversos espectos do ministério da igreja;

Eu vi a Coréia orar,
mas vi, entretanto, que a história moderna do país é marcadamente definida pela tragédia de uma enorme divisão nacional;

Eu vi a Coréia orar, e soube também que a igreja exerceu um importante papel na luta pela democracia e pelos direitos humanos, confrontando a severa opressão imposta pelos governos militares do passado;

Eu vi a Coréia orar, mas soube, entretanto, que nem todas as igrejas se identificaram com a luta do povo oprimido, e, por serem excessivamente conservadoras, deram suporte aos governos opressores;

Eu vi a Coréia orar, e descobri também que, no passado, algumas igrejas e cristãos conscientes, mesmo que em pequeno número, tomaram iniciativas corajosas, e a atividade destes tornou-se um sinal de esperança para muita gente;

Eu vi a Coréia orar,
mas vi, entretanto, o ainda existente perigo de confronto militar entre as duas Coréias, hoje divididas por uma zona desmilitarizada que se extende ao longo de 250 kilômetros;

Eu vi a Coréia orar, e observei também que há muito as igrejas coreanas se preparam para a abertura das fronteiras, tanto para receber gente vinda do norte como para enviar obreiros e missionários para lá;

Eu vi a Coréia orar, mas ouvi notícias, entretanto, de que o substancial apoio dado e enviado pela igreja sul-coreana é abusado e manipulado pela ditadura norte-coreana;

Eu vi a Coréia orar, e observei também que a igreja coreana do sul continua a prover alimento e apoio a muitos famintos da Coréia do Norte, além de nutrir confiança mútua e a encorajar o intercâmbio contínuo até que as fronteiras se abram
.

Sim, a igreja coreana ora muito, exerce o ministério e vai à missão em oração, muita oração! Mas não sem dor e sacrifício, esperança e solidariedade, erros e controvércias.

Copyright © 2006 Luís Wesley de Souza

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Sexta-feira, Novembro 09, 2007

A Teologia Silenciosa e a "Mulher do Aderbal"


Teólogos cristãos imaturos tem o péssimo hábito de achar que devem sempre dizer alguma coisa para, pretenciosamente, elucidar e explicar todas e cada uma das ocorrências da vida, boas ou ruins. A teologia madura, contudo, é aquela que se exige saber quando e como ficar em silêncio diante de situações experimentadas pelas pessoas.

A teologia sábia e experiente não se pretende ter ou ser resposta para tudo, seja no púlpito, no hospital, na literatura, no campo missionário, na célula, na mesa de bate-papo, no cemitério, durante uma visita ou num debate. O teólogo maduro, ao silenciar-se, confia plena e radicalmente no Espírito Santo, da mesma forma e na mesma medida em que confia n'Ele quando abre a boca.

Historicamente, a teologia e a proclamação têm sido narrativa e vernacular por natureza. Contudo, é também verdade que a impotência e a impaciência nos traem, notadamente quando estamos diante de quadros depressivos, desesperadores ou complexos. E é aí que o "não poder fazer nada" nos seduz e nos conduz à linguagem verbalizada, e, portanto, à possível subjetividade de palavras ditas ao léu, sem pertinência ou relevância alguma. A nossa lógica é que, se falhamos em dizer ou verbalizar alguma coisa, o silêncio santo de Deus também será incapaz de comunicar à mente e ao coração das pessoas.

Ocorre, entretanto, que o Espírito Santo é aquele que perscruta novas formas de linguagem e novas subjetividades através das quais ele ouve, ora, geme e fala (Romanos 8:18-27), justamente por causa das nossas limitadas capacidades enquanto humanos. Isto inclui nossas doutrinas e tradições que, por espantoso que pareça a alguns, não conseguem capturar a totalidade de Deus, simplesmente pelo fato de que são produto da inteligência, da linguagem, do simbolismo, do pensamento e do engendramento humano. Nenhuma destas coisas é veículo adequado para a total compreensão do divino.

Não quero dizer com isso -- em absoluto! -- que nossas doutrinas ou sistematizações da fé sejam falsas. O que digo é que elas são inevitavelmente incompletas e, eventualmente, distorcidas quanto a revelar e comunicar Deus na experiência humana. Se queremos conhecer Deus e os seus pensamentos de forma mais ampla, embora ainda e sempre incompleta, temos que ir para além do que sabemos, ou do que pensamos que sabemos! Afinal, as melhores e mais fiéis tentativas de descrever Deus e a humanidade podem acabar sendo nada mais do que auto-interesse idólatra.

A "mulher do Aderbal" e os teólogos tagarelas


Não ser capaz de ficar calado quando o silêncio é necessário, é reproduzir, na teologia e na proclamação, a atitude da "mulher do Aderbal". Refiro-me ao quadro humorístico em que a esposa de Aderbal, pressupondo conhecer detalhes do que vai no pensamento do marido, coloca em seus lábios palavras que ele nunca pronunciou, gerando os maiores constrangimentos para o próprio Aderbal em relação aos seus amigos "ouvintes". Aderbal acaba por perder os amigos por causa daquilo que sequer falou, mas que, supostamente, fora colhido de seus pensamentos. Pior do que isto é que, ao final, ela própria sentencia o marido, dizendo: "Você fala demais, Aderbal!" Ele, contudo, não chegou sequer a abrir a boca, não disse uma só das palavras pronunciadas por sua esposa, nem muito menos pensou no conteúdo, na forma ou na substância do que fora atribuído a ele.


A revelação de Deus se silencia na voz do teólogo quando este se ocupa demais em falar. É como se o som da voz de Deus sofresse um eclipse causado pelas sombras que a precipitação e o excesso de palavras do teólogo impõe ou imputa à revelação. Por isso, é preciso aprender a se silenciar quando necessário, reconhecendo que há algo muito além do que a linguagem verbalizada pode comunicar e operar. Isto acontece quando o teólogo começa por admitir os limites do seu próprio pensamento teológico, e se posta silencioso, humilde, contrito e genuflexo na presença de um Deus que está acima e além das suas tentativas de descrevê-Lo.



Copyright © Junho 2006 Luís Wesley de Souza

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