Contrarregra existencial? Eu? Tô fora!
Busco aprender a rir das mesmas coisas que me causam choro, sorrir diante de quadros que me fazem engolir seco, abraçar algumas coisas que se me apresentam incertas e incógnitas, encarar com realismo o que quer que seja que me vulnerabiliza.
Tento ser resoluto no enfrentamento daquilo que me aborda na forma do desafio ou da ameaça, e determinado na missão à que fui divinamente arremeçado.
Somente assim, no futuro, não terei que dizer: "Tudo o que fiz foi ser apenas um 'contrarregra' do meu próprio cenário existencial cheio de vazio". Afinal, não foi para isto que Deus me criou!
Não quero deixar jamais de ter saudade do futuro. Sim, quero sempre sentir mais e mais nostalgia por aquilo que ainda está por vir, não somente pelo bom e o bem que já passaram. Ademais, não quero atropelar o futuro no presente por causa de qualquer erro do meu passado recente ou remoto.
Quero colher de minhas raízes passadas o que há de melhor e mais precioso e valoroso quanto a construir fundações que me mantenham capaz de sonhar e, se possível, redesenhar no presente os meus dias vindouros. Para isso, busco não negligenciar nem passado, nem presente, nem muito menos o futuro, pois são a história que Deus escreve a meu respeito.
É por isso que gosto de pensar o futuro ou a existência que o Soberano tem para mim como sendo a experiência acumulada, desde o meu tenro passado, de dar velocidade, dinâmica e trajetória à uma flecha.Empurro o arco para frente, vergo a corda para trás, concentro-me nos mais nobres sentidos de vida plena conquistados em Cristo, revisito meus propósitos de vida e reconsidero meu chamado e vocação.
Trago uma vez mais à memória aquela minha oração da adolescência para que Deus fizesse de minha vida um milagre e que me ensinasse a viver uma vida simples, mas sem mediocidade. Confio radicalmente na Graça, conto com a sólida e inescapável presença do Parácleto, e, com convicção, solto a flecha em direção à mira.
Minha flecha, como qualquer outra bem lançada, embora frágil e vulnerável, enfrenta as intempéries do trajeto - massas opostas de ar frio ou quente, forças de ventos contrários ou de vácuos -, e rasga o percurso com suavidade e firme determinação, até chegar ao seu destino. Para isso, usa toda a energia depositada nela pela tensão do arco e da corda, e guia-se pelos conteúdos, sentimentos, memória e vocação deste arqueiro.
Se acerto, muito bem. Se não, ao menos tenho a consciência de que fiz o melhor que pude para acertar na "mosca", e continuo a sorrir para a vida certo de estar imerso na misericórdia do Eterno, cujos juízos são insondáveis, cuja mente é desconhecida, e de Quem os caminhos são inescrutáveis (Romanos 11:33-34).
Fonte: www.casadacultura.org
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