L. Wesley's COMMUNITÀS

Este blog é dedicado ao exercício dos dons da liberdade, da razão, da experiência e do afeto na caminhada.

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Nome: Luís Wesley
Local: Atlanta, GA, United States

Ora, o que me importa ser senão UM BOM AMIGO NA JORNADA?

Segunda-feira, Abril 30, 2007

Contrarregra existencial? Eu? Tô fora!


Busco aprender a rir das mesmas coisas que me causam choro, sorrir diante de quadros que me fazem engolir seco, abraçar algumas coisas que se me apresentam incertas e incógnitas, encarar com realismo o que quer que seja que me vulnerabiliza.

Tento ser resoluto no enfrentamento daquilo que me aborda na forma do desafio ou da ameaça, e determinado na missão à que fui divinamente arremeçado.

Somente assim, no futuro, não terei que dizer: "Tudo o que fiz foi ser apenas um 'contrarregra' do meu próprio cenário existencial cheio de vazio". Afinal, não foi para isto que Deus me criou!

Não quero deixar jamais de ter saudade do futuro. Sim, quero sempre sentir mais e mais nostalgia por aquilo que ainda está por vir, não somente pelo bom e o bem que já passaram. Ademais, não quero atropelar o futuro no presente por causa de qualquer erro do meu passado recente ou remoto.

Quero colher de minhas raízes passadas o que há de melhor e mais precioso e valoroso quanto a construir fundações que me mantenham capaz de sonhar e, se possível, redesenhar no presente os meus dias vindouros. Para isso, busco não negligenciar nem passado, nem presente, nem muito menos o futuro, pois são a história que Deus escreve a meu respeito.

É por isso que gosto de pensar o futuro ou a existência que o Soberano tem para mim como sendo a experiência acumulada, desde o meu tenro passado, de dar velocidade, dinâmica e trajetória à uma flecha.

Empurro o arco para frente, vergo a corda para trás, concentro-me nos mais nobres sentidos de vida plena conquistados em Cristo, revisito meus propósitos de vida e reconsidero meu chamado e vocação.

Trago uma vez mais à memória aquela minha oração da adolescência para que Deus fizesse de minha vida um milagre e que me ensinasse a viver uma vida simples, mas sem mediocidade. Confio radicalmente na Graça, conto com a sólida e inescapável presença do Parácleto, e, com convicção, solto a flecha em direção à mira.

Minha flecha, como qualquer outra bem lançada, embora frágil e vulnerável, enfrenta as intempéries do trajeto - massas opostas de ar frio ou quente, forças de ventos contrários ou de vácuos -, e rasga o percurso com suavidade e firme determinação, até chegar ao seu destino. Para isso, usa toda a energia depositada nela pela tensão do arco e da corda, e guia-se pelos conteúdos, sentimentos, memória e vocação deste arqueiro.

Se acerto, muito bem. Se não, ao menos tenho a consciência de que fiz o melhor que pude para acertar na "mosca", e continuo a sorrir para a vida certo de estar imerso na misericórdia do Eterno, cujos juízos são insondáveis, cuja mente é desconhecida, e de Quem os caminhos são inescrutáveis (Romanos 11:33-34).

Copyright © Abril 2007 Luís Wesley de Souza

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Tela acima: Arqueiro, de Mauro Andriole. Nanquim sobre cartão, 2000.
Fonte: www.casadacultura.org

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Quinta-feira, Abril 26, 2007

"Por Sermos Irmãos", de João Alexandre


"Que os erros de outrora nos façam pensar
Que o tempo é agora e não pode esperar
Que o amor não tem hora, nem cor, nem lugar
E só tem sentido se a gente se amar

Que a nossa garganta desate esse nó
Num abraço apertado sem medo e sem dó
Que a gente divida entre acordes e tons
A honra e o prazer de juntar nossos dons

Que Deus sobre nós multiplique esse amor
Sadio e sincero no riso e na dor
Que as nossas canções falem sempre de paz
Nem muito de menos, nem pouco de mais

Que a história se faça por sermos irmãos
No peito e na raça, no aperto das mãos
Que as nossas crianças nos vejam assim
Amigos no início, no meio e no fim"

Por Sermos Irmãos, letra e música de João Alexandre.

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Terça-feira, Abril 17, 2007

Cantar e Cantar!

Cantar a alegria,
Cantar a tristeza.
Cantar o prazer ou o desgosto,
Mesmo que lágrimas teimosas rolem no rosto.

Cantar por justiça,
Cantar por mudanças.
Cantar por amor ou por protesto,
Embora possa vir a ser sobre aquilo que detesto.

Cantar contra a pobreza,
Cantar contra a maldade.
Cantar contra o abuso e a opressão,
Porque cantar assim é também estender a mão.

Cantar além do refrão,
Cantar além da melodia.
Cantar além das palavras e dos gestos,
Para ver
e saber que a vida não é feita de restos.

Cantar para o Eu Sou,
Cantar sobre o Alfa e Ômega.
Cantar pelo Paráclito todo o alfabeto,
Até que o meu canto se torne bem mais concreto.

Copyright © 2007 Luís Wesley de Souza


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Quinta-feira, Abril 12, 2007

Néo-Alcatrazes & Liberdade


Alcatraz, a legendária prisão localizada na Baía de San Francisco, Califórnia, EUA, serve de analogia para ilustrar as prisões eclesiásticas nas quais se vêem dezenas de religiosos. A fama e o mito de Alcatraz se fundamentavam no conceito de que se tratava de um complexo presidiário ilhado do qual ninguém conseguia escapar vivo. Contudo, a suposta inescapabilidade de Alcatraz não era uma realidade absoluta, senão na mente dos prisioneiros. A verdadeira Alcatraz residia apenas no imaginário da quase totalidade dos presos.

Tal imaginário era constantemente nutrido pelo próprio sistema prisional, que retroalimentava os medos, afirmando perigos que um prisioneiro em fuga encontraria lá fora: águas turbulentas, tubarões, guarda prisional, sentinelas, guarda costeira, ataques com armas de fogo e, por fim, a morte. Para que houvesse qualquer tentativa de fuga, o prisioneiro tinha que romper a primeira e mais intransponível barreira: conceber a possibilidade de que o mito da inescapabilidade era relativo, considerar os riscos concretos, desenvolver a coragem necessária para querer correr o risco de morte, e, acima de tudo, tentar!

A meu ver, hoje existem néo-Alcatrazes sendo alimentadas no imaginário de muita gente. Estas novas Alcatrazes não são somente representadas por certas empresas, sociedades, ordens, clubes, partidos, status quo's, convenções relacionais ou de amizade, mas também por organismos religiosos, notadamente por estruturas eclesiásticas. Estas costumam sugerir que, fora das suas muralhas domésticas, só pode haver incerteza, ignorância, anonimato, ausência de destino, despropósito, isolamento, desvalor, paralelismo, desaparecimento, invisibilidade e/ou morte ministerial.

Libertar-se destas néo-Alcatrazes implica traspassar a representação das grades, paredes e perigos até então nutridos em nosso imaginário. Esta libertação é tanto mental como espiritual, emocional e cultural, e, eventualmente, funcional. Razão pela qual se conquista sob o poder e ternura do Espírito Santo, com muita confiança no amor, na graça e no cuidado de Deus, para Quem e diante de Quem não há limites, nem distâncias, nem barreiras e nem morte, mas vida, e vida plena e abundante.

Valorizar os pequenos passos, rejeitar a super-valorização do consenso, querer correr riscos, planejar e viabilizar pequenas conquistas, ser persistente e não-conformado, são alguns dos segredos do processo de mudança de paradigmas e, neste caso, de libertação. Além disso, é preciso lembrar-se com carinho e apreço dos que ficaram, e, acima de tudo, respeitar aqueles que de forma alguma se sentem presos. No mais, é preciso lembrar que, independente do que nos tornamos dentro de instituições, fomos chamados à liberdade para servir com amor (Gálatas 5:13). Enquanto se luta pela liberdade, mantém-se o coração sempre latejante nesta convicção: "Tudo posso [no Cristo] que me fortalece".

Copyright © 2007 Luís Wesley de Souza

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Domingo, Abril 08, 2007

A Teologia e o Silêncio


Teólogos cristãos imaturos tem o péssimo hábito de achar que devem sempre dizer alguma coisa para, pretenciosamente, elucidar e explicar todas e cada uma das ocorrências da vida, boas ou ruins. A teologia madura, contudo, é aquela que se exige saber quando e como ficar em silêncio diante de situações experimentadas pelas pessoas. A teologia sábia e experiente não se pretende ter ou ser resposta para tudo, seja no púlpito, no hospital, na literatura, no campo missionário, na célula, na mesa de bate-papo, no cemitério, durante uma visita ou num debate. O teólogo maduro, ao silenciar-se, confia plena e radicalmente no Espírito Santo, da mesma forma e na mesma medida em que confia n'Ele quando abre a boca.

Historicamente, a teologia e a proclamação têm sido narrativas
e vernaculares por natureza. Contudo, é também verdade que a impotência e a impaciência nos traem, notadamente quando estamos diante de quadros depressivos, desesperadores ou complexos. E é aí que o "não poder fazer nada" nos seduz e nos conduz à linguagem verbalizada, e, portanto, à possível subjetividade de palavras ditas ao léu, sem pertinência ou relevância alguma. A nossa lógica é que, se falhamos em dizer ou verbalizar alguma coisa, o silêncio santo de Deus também será incapaz de comunicar à mente e ao coração das pessoas.

Ocorre, entretanto, que o Espírito Santo é aquele que perscruta novas formas de linguagem e novas subjetividades através das quais ele ouve, ora, geme e fala (Romanos 8:18-27), justamente por causa das nossas limitadas capacidades enquanto humanos. Isto inclui nossas doutrinas que, por espantoso que pareça a alguns, não conseguem capturar a totalidade de Deus, simplesmente pelo fato de que são produto da inteligência, da linguagem, do pensamento e do engendramento humano. Nenhuma destas coisas é veículo adequado para a total compreensão do divino.

Não quero dizer com isso -- em absoluto! -- que nossas doutrinas ou sistematizações da fé sejam falsas. O que digo é que elas são inevitavelmente incompletas e, eventualmente, distorcidas quanto a revelar e comunicar Deus na experiência humana. Se queremos conhecer Deus e os seus pensamentos de forma mais ampla, embora ainda e sempre incompleta, temos que ir para além do que sabemos, ou do que pensamos que sabemos! Afinal, as melhores e mais fiéis tentativas de descrever Deus e a humanidade podem acabar sendo nada mais do que auto-interesse idólatra.

Não ser capaz de ficar calado quando o silêncio é necessário, é reproduzir, na teologia e na proclamação, a atitude da "mulher do Aderbal". Refiro-me ao quadro humorístico em que a esposa de Aderbal, pressupondo conhecer detalhes do que vai no pensamento do
marido, coloca em seus lábios palavras que ele nunca pronunciou, gerando os maiores constrangimentos para o próprio Aderbal em relação aos seus amigos "ouvintes". Aderbal acaba por perder os amigos por causa daquilo que sequer falou. Pior do que isto é que, ao final, ela própria sentencia o marido, dizendo: "Você fala demais, Aderbal!" Ele, contudo, não chegou sequer a abrir a boca, nem muito menos disse uma só das palavras pronunciadas por sua esposa.


A revelação de Deus se silencia na voz do teólogo quando este se ocupa demais em falar. É como se o som da voz de Deus sofresse um eclipse causado pelas sombras que a precipitação e o excesso de palavras do teólogo impõe ou imputa à revelação. Por isso, é preciso aprender a se silenciar quando necessário, reconhecendo que há algo muito além do que a linguagem verbalizada pode comunicar e operar. Isto acontece quando o teólogo começa por admitir
os limites do seu próprio pensamento teológico, e se posta silencioso, humilde, contrito e genuflexo na presença de um Deus que está acima e além das suas tentativas de descrevê-Lo.


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Domingo, Abril 01, 2007

Henry Sobel não é cínico


Cínicos bastam-se a si mesmos. Cínicos não pedem desculpas. Cínicos não reconhecem que tem problemas. Cínicos se acham acima da lei e da verdade. Cínicos não dão satisfação alguma. Cínicos tentam explicar o injustificável. Cínicos não entram em crise de conciência ética. Cínicos não entram em colapso por terem satisfação a dar à sociedade pelos seus atos. Cínicos não vêm a público para lamentar os transtornos que causaram. Cínicos dormem tranqüilos com a consciência que não possuem.

Como disse anteriormente, sendo vítima de uma doença de desenvolvimento involuntário, Henry Sobel não deveria ser confundido com a rapinagem cínica deste nosso país, nem muito menos com aqueles larápios que se valem da mística e do poder político, econômico e religioso que possuem para responder às suas volúpias por poder e domínio.


A meu ver, os larápios cínicos são primariamente representados por aqueles que, maliciosamente, constroem e alimentam místicas ou imaginários em torno de si, de sua imagem, de seus dons, de seu poder institucional ou empresarial, de suas funções políticas ou eclesiásticas, e dos espaços que lhes garantem a imunidade e o controle da situação. Tudo isto para serem capazes de se esconderem atrás de tais místicas e ideais imaginários, a fim de se manterem aparentemente indiscerníveis, irreconhecíveis, impunes, inquestionáveis e intocáveis.

São caracterizados pelo cinismo que desenham em suas faces, em suas palavras, em seus olhos, em suas atitudes e em sua liderança e autoridade, convencidos que estão de que são capazes de enganar todo mundo. Quando usam sua mitificada autoridade para repreender com rigidez erros infinitamente menores do que os seus próprios, para condenar enganos ínfimos se comparados às suas práticas perniciosas, fazem-no como se possuíssem imunidade perante a história. Nisto, ironicamente, enganam-se a si mesmos.

Sim, são larápios cínicos que seguem ludibriando de todas as formas e maneiras, seja pela via relacional, institucional, política ou mesmo por tentativas literárias no intuito de induzir as pessoas a concluírem que o certo está errado e que o errado é que está certo, que a verdade é mentira e que a mentira é que tem que ser encarada como verdade. Possuem impressionante astúcia e esperteza no que tange a induzir ao erro.

Na maioria das vezes os larápios cínicos são muito populares, atraentes e admirados. Deliciam-se ao observar que sua popularidade cresce enquanto corrompem e escondem a verdade. São verdadeiros calhordas que fazem do engano um hobby. Enganam e depois se retiram para um canto qualquer para fazer chacota dos enganados e babar a própria calhordice. Apreciam a própria capacidade de planejar a embromação dos outros e se orgulham de ver as situações sempre virarem a seu favor. Não percebem nem admitem, contudo, que a história não os deixará permanentemente imunes e impunes.

Larápios cínicos
não são os que roubam objetos sob ausência de motivo econômico. São aqueles que exercem – muitas vezes sob inacreditável suporte institucional – dons e funções de liderança que os ajuda a camuflar suas mais variadas libertinagens. Não é de se surpreender que estejam espalhados nas mais diversas camadas de influência e de liderança na sociedade.

E, evidentemente, há os larápios cínicos que desfrutam de suas paixões, perversidades e assédios morais e relacionais, usando malignamente do poder que lhes foi conferido por um grupo ou por uma nação. Tudo isso sob o olhar complacente e tolerante daqueles que, embora ainda não tenham sido seduzidos em suas mentes e corações a praticarem o mesmo, já se deixam induzir nas percepções e posturas diante do quadro, razão pela qual nada fazem a respeito. A inércia destes é resultado do medo de enfrentar situações desconfortáveis, e da falta de coragem de resistir à mística e ao poder dos ladrões da dignidade.

Copyright © 2007 Luís Wesley de Souza


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