L. Wesley's COMMUNITÀS

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Nome: Luís Wesley
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Ora, o que me importa ser senão UM BOM AMIGO NA JORNADA?

Sábado, Março 31, 2007

As gravatas de Sobel, o que tem história


É
sombria a situação em que encontra Henry Sobel, o ainda e sempre respeitado líder religioso, ex-presidente do rabinato da Congregação Israelita de São Paulo. Sobel fora flagrado e indiciado na Flórida, Estados Unidos, alegadamente por ter se apropriado de gravatas de grifes famosas sem tê-las pago nas respectivas lojas. Segundo avaliação clínica, ele sofre de cleptomania, uma doença psíquica cientificamente provada e definida como um impulso obsessivo e irresistível por roubar, sem qualquer necessidade ou motivo econômico[1].

Enquanto vítima de uma doença de desenvolvimento involuntário, Sobel nada tem a ver, em absoluto, com os larápios cínicos deste nosso país, nem muito menos com aquela rapinagem que se vale da mística e do poder político, econômico e religioso que possue para ter acesso às suas mais escabrosas lascívias.


O que se pode dizer, por exemplo, de líderes religiosos das mais variadas classificações confessionais, ou de empresários e políticos de matizes diversas que, apesar de nunca terem sido flagrados e indiciados, são verdadeiros latrocidas da dignidade humana? Já roubaram de tudo, exceto gravatas, não por serem cleptomaníacos -- o que explica o caso de Sobel! --, mas por serem
homofágicos da dignidade dos outros, e megalomaníacos, famintos pelo poder e domínio sobre as pessoas, enquanto estas os servem como a deuses de “araque”.

Estou entre aqueles que tem compaixão por Sobel, que choram a dor de vê-lo sofrer sua própria história recente por causa de uma complexa patologia psíquica. Estou entre aqueles que lamentam que haja tantos de nós que jamais compreenderão as reais implicações íntimas, religiosas e sociais de ser cleptomaníaco. Estou também entre aqueles que aborrecem a injustiça na sociedade, particularmente, na política, na economia e na religião. Sim, estou no meio daqueles que estão fartos do abuso de autoridade, do abuso econômico, do importúnio moral e da impunidade geral.

A meu ver, o futuro de Sobel está incerto, sim, mas não o seu passado!
Enquanto isso, o passado de certos líderes políticos e religiosos, cínicos inveterados, é absolutamente incerto, como também o presente e o futuro destes. Lamentavelmente, o respeitável rabino da comunidade judaica paulista está hoje em "maus lençóis", mesmo quanto ao que vier a se desenhar na continuidade do seu trabalho junto aos israelitas e à sociedade brasileira nos meses que se seguirão.

Afinal, diferentemente da rapinagem cínica e sem história, ele vai pagar o preço ético e moral pelas gravatas que se apropriou sob influência de uma doença sobre a qual ele próprio declara não ter suficiente conhecimento científico. Ao contrário dos cínicos, Henry Sobel possui um enorme legado para as futuras gerações, uma herança de seus atos em favor da sociedade brasileira ao longo das últimas três décadas. Este legado poderá trazê-lo à tona novamente.

Sobel tem história porque a fez. Os larápios da sociedade e da dignidade humana, não.

Copyright © 2007 Luís Wesley de Souza



[1] The American Heritage® Dictionary of the English Language, Fourth Edition copyright ©2000 by Houghton Mifflin Company. Updated in 2003. Published by Houghton Mifflin Company. Available at http://www.thefreedictionary.com/Kleptomania.

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Sexta-feira, Março 30, 2007

Sonhos e Realidade (ou Necessidade em Poema)

Recebi uma crítica legal de uma amiga, a Regina Oliveira, de Londrina, PR. Ela considerou que minha versão alternativa ao poema de Drummond merecia um toque final e definitivo. Disse que a repetição da expressão “É preciso” trazia uma carga de exigência impositiva. Refleti e concordei. Quem não se dobra diante de uma excelente crítica? Contudo, com a eliminação da sequência do “É preciso”, os versos não mais poderiam ter o título de “Poema da Necessidade”. A Regina, então, sugeriu um título: “Sonhos e Realidade”. Aceitei a sugestão, mas também tive a ideia de chamá-lo de "Necessidade em Poema", fazendo, assim, um trocadilho com o título original de Drummond. Assim, o que segue é o burilamento da versão do poema anterior, cujo conteúdo ganha força nesta última, ao mesmo tempo em que se torna menos pesado e mais fluído.


Estender as mãos,
responder à miséria,
retirar os lodos,
transformar nós todos.


Reformar a nação,
fitar a vida em Deus,
perdoar dívidas,
jogar dominó,
amar uma só.


Discernir a injustiça,
estar sempre sóbrio,
ler os Evangelhos,
colher o que se plantou
e ser consistente com o que se falou.


Viver entre os homens,
conhecer as perguntas,
por mãos ao trabalho
e anunciar que da justiça não se faz retalho.


Copyright © 2007
Luís Wesley de Souza (poema)
& Regina Oliveira (título e ajuste)

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