L. Wesley's COMMUNITÀS

Este blog é dedicado ao exercício dos dons da liberdade, da razão, da experiência e do afeto na caminhada.

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Nome: Luís Wesley
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Ora, o que me importa ser senão UM BOM AMIGO NA JORNADA?

Segunda-feira, Janeiro 29, 2007

"Poema da Necessidade"

Minha proposta de versão ALTERNATIVA
ao poema de Carlos Drummond de Andrade
(veja
o original no rodapé deste "post")

É preciso estender as mãos,
é preciso responder à miséria,
é preciso retirar os lodos,
é preciso transformar nós todos.

É preciso reformar a nação,
é preciso fitar a vida em Deus,
é preciso perdoar dívidas,
é preciso jogar dominó,
é preciso amar uma só.

É preciso discernir a injustiça,
é preciso estar sempre sóbrio,
é preciso ler os Evangelhos,
é preciso colher o que se plantou
e ser consistente com o que se falou.

É preciso viver entre os homens,
é preciso conhecer as perguntas,
é preciso por mãos ao trabalho
e anunciar que da justiça não se faz retalho.

Copyright © 2007 Luís Wesley de Souza

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O poema original de Drummond de Andrade:

Poema da necessidade

É preciso casar João,
é preciso suportar Antônio,
é preciso odiar Melquíades
é preciso substituir nós todos.

É preciso salvar o país,
é preciso crer em Deus,
é preciso pagar as dívidas,
é preciso comprar um rádio,
é preciso esquecer fulana.

É preciso estudar volapuque,
é preciso estar sempre bêbado,
é preciso ler Baudelaire,
é preciso colher as flores
de que rezam velhos autores.

É preciso viver com os homens
é preciso não assassiná-los,
é preciso ter mãos pálidas
e anunciar O FIM DO MUNDO.


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Sexta-feira, Janeiro 26, 2007

Teísmo Aberto

Este foi o "Prefácio à Edição Brasileira" que fiz do livro
Teísmo aberto: Uma teologia além dos limites bíblicos
,
recentemente publicado pela Editora Vida.

A concepção de que Deus é ignorante do futuro, não somente caricaturiza a fé evangélica, mas também nega as Escrituras e coloca a esperança cristã em solo movediço. Conceber tal fantasia[1] é incorrer numa espécie de engano teológico cuja sutileza é maior do que se pode imaginar no que tange às implicações e consequências que tal conceito impôe à fé cristã.

As grandes heresias surgidas ao longo da história do cristianismo não foram aquelas facilmente identificáveis à primeira vista. Algumas soavam até interessantes e, a princípio, a maioria delas aparentemente não ofereciam riscos às bases bíblico-teológicas das doutrinas compartilhadas pelas diferentes epistemologias e hermenêuticas presentes na Igreja nas respectivas épocas em que surgiram.

Para contestá-las, foi preciso que os apologetas de então fossem muito além da simples, frágil e limita percepção humana quanto ao caráter, por exemplo, da natureza divina, fazendo basicamente a mesma pergunta: “Sabe Deus de todas as coisas?”. Muitos deles buscaram o discernimento na oração, na comunhão fraternal, no contexto em que estavam situados e, especialmente, no aprofundamento do conhecimento da revelação bíblica. A esmagadora maioria deles, entretanto, jamais lançou mão das atitutes nefastas de um odioso fundamentalismo religioso, nem mesmo das motivações de um tipo de cristandade que busca impor sua pretensa “reta-doutrina”[2].

Defender a fé, notadamente quando é o teísmo aberto que está em debate, não se limita a acessar as fontes do conhecimento cristão. Para os autores deste e de alguns outros livros da mesma natureza, implica também aceitar os desafios do debate e da vulnerabilidade frente aos questionamentos que surgirão, não somente do público leitor comum, mas também da comunidade cristã como um todo, incluindo aqui a sempre atenta academia. Isto exige deles uma atitude de humildade e firmeza, franqueza e ternura, sensibilidade e objetividade, além e um profundo compromisso de não se calarem quando um perigoso adendo à fé implique excluir desta qualquer um dos seus aspectos essenciais. Afinal, mesmo na teologia, o problema nem sempre está naquilo que incluímos, mas naquilo que temos que excluir para poder incluir.

Fato é que observar, refletir e defender a fé cristã exige referenciais que balizem e disciplinem o tipo de labor teológico que intensiona buscar legitimidade e pureza bíblico-doutrinária. Por isso é necessário oração, investigação, discernimento e compreensão responsável da bíblica, da história ou tradição, da razão, da experiência, e da sabedoria de Deus na criação. As Escrituras, contudo, são o eixo primordial e definitivo deste labor. A bíblia não pode ser apenas citada na tentativa de substanciar argumentos partidários. Ela precisa receber primasia no exercício da defesa da fé e do desenvolvimento de uma teologia genuinamente cristã. É a bíblia que deve dar a primeira e a última palavra.

A meu ver, os editores e autores de Teísmo aberto: Uma teologia além dos limites bíblicos têm a fina virtude intuitiva de aplicar tais referenciais ao questionarem os conteúdos, propósitos, consequências e implicações daquilo que já está sendo considerado um dos maiores potenciais de cisão definitiva e histórica do protestantismo mundial: o assim chamado “teísmo aberto”. Observo com cuidado que os argumentos apresentados neste livro são biblicamente embasados, historicamente situados, cognitivamente inteligíveis, experimentalmente identificáveis, e amplamente compatíveis com aquilo que a fé cristã tem entendido ser a natureza, o poder e a sabedoria redentivas de Deus na criação. Tenho também a certeza de que este material que o leitor tem em suas mãos, tal como ocorre em outras partes do mundo, ajudará a Igreja brasileira a discernir seus rumos teológicos, eclesiológicos e missiológicos.



[1] Thomas C. Oden. “The Real Reformers Are Traditionalists”. Em Christianity Today 42(2) de 9 de fevereiro de 1998: p. 45.

[2] Expressão e conceito propriamente usado e definido por Rubem Alves em seu livro Protestantismo e Repressão.


Copyright © 2007 Luís Wesley de Souza

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Sexta-feira, Janeiro 05, 2007

Paixão renovada


Comecei 2007 experimentando, uma vez mais, algo que me revitalizou a certeza de que o poder do evangelho não conhece limites de tempo, espaço, cultura, conjuntura ou geração. De 1 a 4 de janeiro realizou-se aqui em Atlanta o Passion07. Trata-se de um evento que reúne jovens estudantes universitários oriundos de mais de duas centenas de colleges americamos e de outras partes do mundo, incluindo o Brasil.

Passion07 recebeu pouco mais de 25.000 jovens no Georgia World Conference Center, localizado bem no miolo mais espetacular e relevante de Atlanta. Trata-se de um complexo de enormes instalações que incluem ginásios, auditórios, hotéis, cafeterias, e tudo o mais que se possa imaginar em termos de um centro de convenções construído na medida para estar/ficar em state of art. Dentre as várias facetas e ambientes do local está a CNN, a rede mundial de notícias instantâneas mais famosa e influente do planeta, tida como líder de um dos grandes poderes que "mudam" o mundo: a comunicação televisiva. Nada disso me impressionou, contudo.

O que renovou minha paixão e alimentou minha esperança foi ver, com meus próprios olhos, o que Deus está fazendo mundo afora entre os universitários. São jovens vindos de toda parte com jeito notadamente contemporâneo, pensamento crítico rebuscado para a idade que possuem, linguagem peculiar e estilo característico. Vi milhares de jovens com toda esta bagagem e muito mais dobrando-se aos pés de Cristo, adorando a Deus de maneira honesta, equilibrada, responsável e integral, dando suas contribuições pessoais - sim, eles próprios, não os pais! - para dezenas de projetos de missão integral espalhados pelo mundo. Vi também centenas deles dedicando suas vidas para o quê e onde quer que seja que o Espírito Santo os queira levar.

Minha filha foi uma das participantes entusiástas do evento, e voltou para casa radiante pela significação e resultados práticos da conferência, não somente na sua vida e espiritualidade pessoal, mas também no que tange ao alcance missiológico que Passion07 está promovendo. Assim como muitos outros, ela participou pessoalmente, por exemplo, de duas das várias campanhas lançadas durante aqueles 4 dias.

Na primeira os universitários foram desafiados a financiar a tradução de todos os versículos do Novo Testamento (ao custo de US$20.00 cada verso) para um povo que ainda não possui o texto em sua própria língua. Esta campanha entre os jovens foi tão bem sucedida que financiará não somente a tradução de todo o NT para aquela língua inicialmente definida, mas também para outros três idiomas diferentes. Na segunda eles foram chamados a contribuir para a construção de alguns poços artesianos no Sudão. Ao final do evento, os estudantes haviam contribuído com recursos suficientes para financiar 38 poços!

Engana-se quem aposta na continuidade do declínio da fé cristã nas universidades. Penso que a presença, proclamação e influência cristãs no campus universitário ganharão novas formas, nuances e metodologias, sim, mas estão longe de serem extintas, como predizem aqueles que defendem e afirmam a necessidade do desaparecimento do testemunho cristão nos espaços acadêmicos em nome da liberdade religiosa, do pluralismo e do diálogo religioso não-apologético.

A meu ver, os estudantes que confessam a fé cristã e clamam ter tido a experiência do "novo nascimento" estão tendo boas oportunidades e desenvolvendo surpreendente criatividade na arte de compartilhar a mensagem do evangelho aos colegas e professores do contexto universitário. O evangelismo relacional nunca foi tão integral, intencional e efetivo, e os grupos pequenos de discipulado e fortalecimento na fé grassam as universidades. Enquanto isso, a juventude conta com o encorajamento e a explosão de entusiásmo que colhe em ministérios e eventos de excelente qualidade e flagrante relevância cultural, social, relacional, espiritual e emocional, como foi o caso do Passion07.

Copyright © 2007 Luís Wesley de Souza

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