L. Wesley's COMMUNITÀS

Este blog é dedicado ao exercício dos dons da liberdade, da razão, da experiência e do afeto na caminhada.

Minha foto
Nome: Luís Wesley
Local: Atlanta, GA, United States

Ora, o que me importa ser senão UM BOM AMIGO NA JORNADA?

Domingo, Dezembro 24, 2006

Memória e Esperança


Hoje, enquanto o calendário indica que o tempo vôa e 2006 vai chegando ao seu final, entro nesta estação de feriados seqüentes observando significados perenes da fé cristã (p.ex., o Natal como expressão da encarnação do Filho de Deus) e antigos valores de família (p.ex., celebração do Ano Novo como expressão de esperança que se renova).

Diferente do meu dia-a-dia de trabalho no escritório, nas reuniões, nas salas de aula ou nas conferências, nessa época os significados e símbolos da fé me relembram de medir minha vida não pelo número de segundos, minutos, horas e semanas, mas pelo prisma das gerações. Afinal, o Senhor "tem sido o nosso refúgio de geração em geração".

É quando reservo tempo para passar os olhos ao longo da minha história e contemplar por onde passei e o que se passou, o de bom e o de ruim, o significante e o que aparentemente não significou nada, que compreendo mais e mais o verdadeiro sentido de crer, observar e viver para Deus.

Assim, nestes próximos dias do ano, enquanto os passos frenéticos do trabalho e dos afazeres diminuem, é preciso tomar tempo para refletir sobre o passado e nossas motivações para o futuro. Enquanto eu mesmo inicio este exercício, "quero trazer à memória o que me pode dar esperança".


É impossível expressar aqui o quão grato e orgulhoso estou por tudo quanto experimentei e alcancei juntamente minha família e amigos, e quão entusiasmado estou com respeito a tudo o que ainda faremos juntos para crescer mais em comunidade, espiritualidade e missão. Tudo isto para a glória d'Aquele que jamais a perdeu.

Copyright © 2006 Luís Wesley de Souza

Marcadores:

Sexta-feira, Dezembro 15, 2006

Certezas e incertezas: quem não as tem?


Há algumas semanas ouvi nosso pastor comentar sobre a viagem de férias que fez com a família para a França. Enquanto falava, alguém lhe perguntou se tinha visto o Louvre em Paris, e ele respondeu: “Eu... eu acho que sim... não me lembro!”

Ao ouvir esta
surpreendente resposta insegura e incerta, perguntei a mim mesmo: “Como pode alguém não estar certo de ter visitado o Louvre?” Afinal, trata-se do famoso Louvre, com suas sucessivas metamorfoses arquitetônicas ao longo das gerações, que domina a cena da área central de Paris desde o final do século 12!

Bem, Louvre à parte, devo admitir que, de certa forma, eu mesmo sofro deste tipo de amnésia momentânea. Com freqüência tenho medido e avaliado minha jornada de vida como se não possuísse a certeza de que um dia vivenciei ou experimentei fatos determinantes que formataram minhas decisões para chegar a ser
o que sou hoje, por puríssima graça divina.

Como na vida de todo mundo, há em minha jornada fatos* aos quais vislumbro neste exato momento como flashes genéricos que, por sua importância histórica pessoal e comunitária, se tornaram sólida e permanentemente inesquecíveis, localizados bem no centro do campo aberto das várias certezas que se entrelaçam entre as ainda mais numerosas incertezas. Dentre as certezas está a de que "pessoas são pessoas, nada mais; Deus é que é Deus, nada menos!"

Fato é que, notadamente até a minha juventude adulta,
nem sempre apreciei e valorizei integralmente todas as bênçãos pessoais, comunitárias, profissionais e ministeriais que a Graça me concedeu através das experiências descritas abaixo e de inúmeras outras não mencionadas alí. Somente mais tarde, com o passar dos anos e com a chegada da maturidade crítica e de memórias avaliativas, é que muitas lembranças voltaram claras à mente, permitindo-me re-ver e re-traduzir os sentidos daquilo que vi, vivi e aprendi.

São fatos
simples e singelos, alguns positivos e outros negativos, porém determinantes e estrondosos - sob a perspectiva da Graça! - quanto a formatar o sentido e direção da minha jornada de vida. Diante deles, nada posso dizer senão que estou certo de que eu os visitei, sim, e que me lembro muito bem de suas cores, dores, sorrisos, desapontamentos, identidades, lágrimas, derrotas e vitórias!

Qualquer que seja a espécie de circunstância e caracterização dos fatos em si, eu hoje os encaro todos, indistintamente, como tendo sido grandes avenidas de aprofundamento de minha dependência de Deus, bem como do refinamento e convergência em minha participação na missão integral do Seu Reino.

É por isso que chamo meu coração para, uma vez mais e sempre, considerar a transcendência, a soberania, o senhorio e a santidade do Deus que perpassa a minha história de vida pessoal e dá sentido à jornada. "Sou forasteiro aqui", mas tenho certeza de ter visto Deus em muitos dos seus movimentos ao longo da minha caminhada, apesar de mim, dos meus contextos e das circunstâncias.

----
*
Me vem à mente, por exemplo: os meus seis primeiros anos vividos em Jericó, uma aldeia rural no coração do sertão do Vale do Paraíba; a experiência cristã de novo nascimento em Santo Antônio da Platina, a morte do meu amigo Gilmar (vítima de meningite), e as caçadas com meus amigos Jabne, Assuéro e Jaimilson; o período em que morei e trabalhei com meus pais no campo missionário do Equador, e o concurso de oratória que participei num colégio adventista equatoriano onde fiz minha primeiríssima fala pública e inaugurei meu ministério como pregador aos 16 anos; a experiência pentecostal ocorrida nos 30 dias que passei num acampamento das Assembléias de Deus na região equatoriana (até então nevada!) da Cordilheira dos Andes; o avivamento pessoal e o batismo com o Espírito Santo em Curitiba, e a coisa interessante de ter morado no sótom de uma casa pastoral; a estada por um ano sob sábia mentoria em Maringá; o choro compulsivo e quase desesperador numa sala de aula da Faculdade de Teologia da Igreja Metodista em Rudge Ramos; o encontro com aquele que se tornou (e continua sendo até hoje!) o meu melhor e maior amigo e mentor - Douglas R. Spurlock; o encontro com aquela com quem me casei e tive filhos; meu primeiro pastorado em Apucarana e os amigos que lá ganhei pra sempre; o nascimento do meu primeiro filho e as alegres chegadas dos outros três; as 41 praias da mais linda ilha do Brasil, e o difícil adeus à querida igreja de Florianópolis (Estreito); a excelente e inspiradora estada ministerial na igreja de Londrina seguida, contudo, de uma dolorosa e extensa machucadura aberta pelas flagrantes deslealdades que caracterizaram e marcaram a ante-sala de minha saída; o enfrentamento de um câncer e a alegria de poder contar com a oração dos irmãos enquando eu experimentava a coisa de estar face-à-face com a morte; a singela e silenciosa ída para Santo Antônio da Platina e a doçura de, uma vez mais, me sentir seguro e "em casa", ao lado de minha mãezinha; o convite do Caio Fábio e a inspiradora e incomparável experiência de trabalhar com ele por três excelentes e saudáveis anos nos bons tempos de AEVB; o valioso, inesquecível e impagável sustento provido pelo RS'sT desde 1996 e a profícua estada para estudos no Asbury Theological Seminary, tendo me tornado o primeiro latino-americano a receber o grau de PhD pela E. Stanley Jones School of World Mission & Evangelism, a excelente mentoria acadêmica de Howard A. Snyder e Darrell Whiteman, e a sempre presente e efetiva tutoria de Burrell D. Dinkins; o companheirismo de Leighton Ford, marcado por uma verdadeira amizade na caminhada, além do pessoal da Foundation for the Carolinas e da Sandy Ford Foundation que me concederam prêmios por excelência acadêmica em 1999, 2000 e 2001; a honra de ser co-fundador da Faculdade Teológica Sul Americana e a docência carinhosamente reconhecida pelos alunos; a insegurança emocional e a dor causada por um desnecessário e furioso abuso/assédio moral ao qual fui submetido; a fundação, existência e relevância do Instituto Jetro; o duro preço pago nos nove meses em que estive distante de tudo e de todos para dedicar-me a um pós-doutorado na Emory University, a complexa e surpreendente seleção d'entre 58 candidatos à cátedra de missão e evangelismo na Emory, e o inesperado convite para assumí-la; a experiência atual de viajar "o mundo" e contribuir com a Igreja espalhada pelo globo. Enfim...

Copyright © 2006 Luís Wesley de Souza


Marcadores: , ,

Segunda-feira, Dezembro 11, 2006

No Natal, música é fundamental!

Eu poderia perfeitamente passar pelo período de Natal sem muitos dos legítimos e genuínos símbolos, cerimônias e adornos cristãos, mas pra mim a música e o cenário de Natal é fundamental. Não estou falando daquelas "chanchadas" natalinas que se toca nas portas das lojas, nem das paródias de natal que se cantam em quermeces igrejeiras. O som daquelas cantigas me causa náusea, não tanto pela música em si, mas pelo significado mercadológico, consumista e leviano que sugerem e transmitem no que tange ao conteúdo totalmente caricaturizado do natal.

Gosto das músicas de Natal que trazem e relembram sua Essência: Cristo Jesus, Aquele que não residiu apenas na manjedora, mas que cresceu, viveu, brincou, trabalhou, ensinou, morreu, redimiu e ressucitou. Desde criança fui ensinado a ouvir e apreciar músicas que celebrassem tanto o "menino da manjedora" quanto o "homem de Nazaré", tanto o "alfa e o ômega" quanto o "crucificado vitorioso". Fazer esta relação de conteúdo e significado, e tranformá-la em canção para a mente e o coração me traz, então, aquilo que torna esta data tão relativa (no que tange a apenas defini-la como o-dia-em-que-Jesus-nasceu) num evento de significado cósmico e eterno.

Luís Wesley

Quinta-feira, Dezembro 07, 2006

Jesus é a razão da estação!


Ao contrário do que muitos imaginam, para o calendário litúrgico cristão o Natal não se restringe a um dia apenas. Ele deve ser celebrado de 25 de dezembro a 5 de janeiro. Sim, são 12 dias de Natal! É preciso saber, contudo, que a graça contida no nascimento do Senhor da história humana e da nossa história pessoal deve ser lembrada e experimentada em todos e em cada dia do ano, sem excessão. Afinal, aquele que nasceu é Emanuel, i.e., Deus no meio e com a gente!

Nem quero discutir o “natal” caricaturado que anda à solta em toda parte. A linguagem daquele tem outro foco, tem facetas obsessivamente consumistas; é plástico, é vil, é socialmente excludente, faz segregação racial, enfim... É natal diet, é des-natalinado, pois exclui a essência, o começo e o fim de tudo: o Salvador, Redentor e Senhor.

Além disso, não é encarnado na tropicalidade brasileira que tem palmeiras, Tico-Tico, João de Barro, Sabiá e sol cáustico de verão. É teimosamente estrangeiro, é polar, é frio em quase todos os sentidos. E mais: bem ao contrário do que diz a canção, “Como é que Papai Noel não esquece de ninguém?”, este falso natal tem amnésia crônica e profunda, pois não se lembra dos já por demais esquecidos em nossa nação.

Natal que é Natal mesmo, tem a ver com a própria personagem da auto-soletração de Deus a nós: Jesus Cristo (João 14:9). Ele é Deus com face humana tangível (II Coríntios 4:6), com jeito de falar — sem tradução e sem sotaque! — a língua da gente. É encarnação às últimas conseqüências (Filipenses 2:8), é identificação radical (Filipenses 2:6), é o Eu Sou que “colou”, que se aderiu à realidade humana (Filipenses 2:7). Encarnação é a maneira pela qual Deus dá um jeito de nascer na forma humana (João 1:14), numa verdadeira reentrada no mundo que já era Seu (João 1:11), mas sem se tornar ordinário (Isaías 53:9b, I Pedro 2:22).

Copyright © 2006 Luís Wesley de Souza

Marcadores:

Page copy protected against web site content infringement by Copyscape